domingo, 1 de novembro de 2026

LADO B: COMO EU QUERO (1998)

LADO B:  COMO EU QUERO – ÁLBUM CHARME DO MUNDO (1998)

A música do LADO B desta semana foi escolhida por meio de uma enquete no grupo SUPER FÃS, no WhatsApp. Colocamos algumas músicas do álbum Charme do Mundo na disputa para que os fãs decidissem qual delas merecia ganhar destaque na nossa seção desta semana. E a vencedora foi uma releitura de um dos grandes clássicos do pop rock nacional: “Como Eu Quero”, sucesso do Kid Abelha que também ganhou uma versão especial na voz de Patricia Marx.

Quem não conhece o clássico do pop rock nacional "Como Eu Quero? Lançada pelo grupo Kid Abelha em 1984, no álbum Seu Espião, a música se tornou um dos maiores sucessos da banda, atravessando gerações e conquistando um lugar especial na música brasileira. 

Em 1998, no álbum Charme do Mundo, Patricia apresentou uma releitura que transportou a música para um universo completamente diferente. Distanciando-se da sonoridade da gravação original, ela apostou em uma roupagem eletrônica, com a batida dançante do drum'n'bass e uma atmosfera moderna, seguindo a proposta do álbum de revisitar grandes sucessos brasileiros dos anos 80 com novos arranjos.

A versão de Patricia ganhou identidade própria e mostra como uma música tão conhecida pode assumir uma personalidade nova quando reinterpretada sob outra perspectiva. Tudo isso dentro do universo do álbum, um trabalho inovador e muito à frente de seu tempo.  Em uma crítica do álbum, publicada no jornal Estado de São Paulo, o crítico Ricardo Alexandre classificou a versão de Patricia para a música como "perfeita, em um clima de adolescência futurista". 

Existe uma curiosidade interessante sobre a história da música original. Composta por Paula Toller e Leoni, "Como Eu Quero" nasceu a partir de uma situação real envolvendo Beni Borja, o primeiro baterista do Kid Abelha. A namorada dele não gostava muito de sua vida como músico e gostaria que ele tivesse uma postura mais séria e uma vida diferente. Essa situação inspirou os compositores a criar uma personagem que queria transformar o namorado naquilo que considerava ideal.

O refrão pode até parecer uma declaração apaixonada, mas, quando prestamos atenção nos versos, percebemos que a personagem não quer simplesmente estar com alguém: ela quer que essa pessoa mude e se transforme de acordo com suas expectativas. É uma história sobre controle, idealização e a dificuldade de aceitar o outro como ele realmente é. E, até nesse aspecto, Patricia acerta em cheio: sua interpretação é ousada e desafiadora, incorporando com precisão a postura da personagem retratada na letra.






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